Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com a participação do professor Arcângelo Loss, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca a erosão em áreas de desmatamento como uma grave ameaça ao Cerrado brasileiro, que abriga 95% de sua área no país.
No capítulo 10 do Status of the World’s Soil Resources 2026 (SWSR 2026), Loss analisa o papel crucial do solo para os ecossistemas e a sociedade, ressaltando que ele é fundamental para a produção de alimentos, fibras e energia, além de regular a água e manter a biodiversidade.
O professor alerta que a erosão é uma das principais preocupações no Cerrado, especialmente em regiões afetadas por desmatamento e superpastejo. “O superpastejo ocorre quando a intensidade do pastejo ultrapassa a capacidade de recuperação da pastagem”, explica Loss, enfatizando que isso reduz a cobertura vegetal e a proteção do solo.
O relatório aponta que as perdas anuais de solo podem atingir até 8,9 toneladas por hectare em áreas sem práticas adequadas de conservação. O professor destaca que a erosão é exacerbada pela compactação do solo, que resulta do pisoteio excessivo dos animais.
Apesar dos desafios, o documento também menciona práticas positivas, como a agricultura conservacionista e o sistema de plantio direto, que ajudam a proteger o solo e a reduzir a erosão. A adoção de sistemas agroflorestais e de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é apontada como uma alternativa eficaz para melhorar a cobertura do solo e estabilizar os estoques de carbono.
O relatório, que atualiza dados sobre a situação dos solos após quase uma década, reforça a necessidade de transformar conhecimento científico em ações concretas de conservação e recuperação, especialmente diante das mudanças climáticas e da demanda por produção sustentável.