quarta-feira, 02 de setembro de 2026
Postado emAgro, Santa Catarina

Pesquisas da UFSC embasam Denominação de Origem do alho roxo catarinense

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Pesquisas da UFSC embasam Denominação de Origem do alho roxo catarinense
Pesquisas da UFSC embasam Denominação de Origem do alho roxo catarinense

O alho roxo do Planalto Catarinense conquistou, em junho deste ano, o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem (DO) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A certificação reconhece que o produto cultivado em Caçador, Lebon Régis, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis, Curitibanos e Frei Rogério possui características únicas, ligadas às condições naturais e ao saber tradicional dos produtores. O processo contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que comprovaram cientificamente o diferencial do alho da região.

Os professores Leocir José Welter e Cristian Soldi, do Campus Curitibanos, realizaram estudos genético-moleculares e análises químicas que atestaram o chamado “nexo causal” exigido pelo INPI. “Fizemos análises genético-moleculares que provaram que, embora a genética seja a mesma do alho cultivado em outros estados, o diferencial de qualidade do alho do Planalto Catarinense é resultado direto das condições edafoclimáticas locais e do manejo”, explica Welter. As condições edafoclimáticas referem-se ao conjunto de características do solo e do clima que influenciam o desenvolvimento das plantas.

As análises químicas revelaram que o alho da região tem aroma mais intenso e coloração roxa mais escura, atributos ligados ao clima e ao processo de cura. “Utilizamos um cromatógrafo gasoso com espectrometria de massas para identificar as substâncias orgânicas responsáveis pelo aroma. A intensidade do aroma do alho da nossa região é estatisticamente maior do que em outras regiões. Em relação à cor, ele ‘puxa’ para um roxo mais escuro”, detalha Soldi. O estresse climático, causado pela umidade, estimula a produção de compostos de defesa na planta, intensificando cor e aroma.

Para os produtores, a certificação representa uma esperança de revitalização da cultura, que enfrenta concorrência de países como Argentina e China e do Centro-Oeste brasileiro. “A produção na região vem diminuindo devido ao alto custo, que fica na faixa dos R$ 100 mil por hectare, e aos desafios climáticos, que limitam a produtividade. A IG deve dar um novo ânimo aos produtores, viabilizando a agricultura familiar e mantendo a importância social e econômica da cultura na região”, afirma Welter. O selo garante que o produtor seguiu um caderno de especificações, valorizando o produto local.

Santa Catarina é o terceiro maior produtor de alho do Brasil, com área plantada de 747 hectares e produção estimada em 8.635 toneladas para a safra 2025/2026, conforme dados da Epagri. A certificação do alho roxo soma-se a outras Indicações Geográficas obtidas com apoio da UFSC, como maçã Fuji, vinhos de altitude, mel de melato de bracatinga e o vinho do Vale das Uvas Goethe.

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