Uma pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC investigou como as redes alimentares alternativas (RAA) influenciam o consumo alimentar. O estudo, conduzido pela nutricionista Yasmin El Kadri Monteiro Pessoa, sob orientação das professoras Suellen Secchi Martinelli e Panmela Soares, analisou publicações científicas sobre o tema.
As RAA são iniciativas que aproximam produtores e consumidores, promovendo o desenvolvimento local, a agrobiodiversidade e dietas mais saudáveis e sustentáveis. A pesquisa identificou que essas redes têm potencial para melhorar os sistemas alimentares, mas ressalta que os resultados devem ser interpretados com cautela.
Os achados indicam uma correlação positiva entre a participação em RAA e o maior consumo de frutas, legumes e verduras. No entanto, a qualidade da evidência foi classificada como “muito baixa”, o que significa que ainda não é possível afirmar com segurança que essas redes são a causa direta das mudanças alimentares observadas.
O estudo também aponta que o modelo atual de produção e consumo de alimentos, marcado por longas cadeias de abastecimento e produtos ultraprocessados, está associado a problemas ambientais e de saúde. A revisão buscou preencher uma lacuna na literatura, que historicamente se concentrou em países do Norte Global.
Foram triados 3.655 estudos, dos quais oito foram incluídos na análise final. Todos eles foram realizados em países de alta renda e mostraram que os participantes de RAA consomem mais alimentos in natura. A pesquisadora Yasmin destaca a necessidade de mais estudos, especialmente em países de baixa e média renda, para embasar políticas públicas eficazes.
