O Grupo de Pesquisa do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está utilizando a Drosophila melanogaster, popularmente conhecida como mosca-da-fruta, para testar a eficácia de medicamentos antidepressivos. O estudo visa substituir o uso de roedores, como ratos e camundongos, por esses insetos, buscando reduzir custos e aumentar a eficiência estatística dos experimentos.
A coordenadora do projeto, professora Cilene Lino de Oliveira, destaca que as moscas são menores e têm um ciclo de vida mais curto, permitindo uma maior quantidade de testes em um espaço reduzido. Isso torna os experimentos mais acessíveis financeiramente e com menor impacto ético, já que as moscas têm uma vida útil menor.
Os testes realizados com as moscas-da-fruta visam identificar precocemente o potencial antidepressivo de novos fármacos. Embora os resultados em moscas sejam promissores, os medicamentos ainda precisam ser testados em roedores e, posteriormente, em humanos para confirmar sua eficácia.
A pesquisa também investiga como o estresse afeta o comportamento das moscas e como o tratamento com antidepressivos pode prevenir essas reações. Dados preliminares mostram que o estresse aumenta a preferência das moscas por sacarose, e que essa resposta pode variar com a dose do medicamento e o sexo do inseto.
A iniciativa de utilizar moscas em pesquisas de antidepressivos começou em 2005, quando a professora Cilene percebeu a necessidade de aprimorar os testes preditivos. Desde então, o laboratório da UFSC tem desenvolvido metodologias inovadoras, reduzindo a dependência de roedores e promovendo o conceito dos 3Rs: redução, refinamento e substituição no uso de animais em experimentos.