A estudante Raiana Jacinto de Moura, do curso de Medicina do campus de Curitibanos da UFSC, publicou um estudo que alerta sobre os riscos da inteligência artificial (IA) na saúde indígena. O artigo, intitulado “Inteligência artificial para o bem de quem? Saúde e resistência Kaingang em tempos de inteligência artificial”, foi publicado na revista Práxis Educativa.
Raiana, que é da etnia Kaingang e graduada em Enfermagem pelo Instituto Federal do Paraná, destaca que a falta de participação dos povos indígenas na gestão de seus dados pode reproduzir práticas coloniais. Em sua pesquisa, ela utiliza a metodologia autoetnográfica para discutir como as novas tecnologias impactam essas comunidades.
“A inteligência artificial não é neutra. Se os dados que alimentam seus algoritmos não refletirem a diversidade cultural e epidemiológica das populações indígenas, a tecnologia pode aprofundar desigualdades históricas”, afirma Raiana. O artigo também aborda a importância da soberania de dados para que a inovação beneficie a todos.
O trabalho se baseia em conceitos como colonialidade do poder e colonialismo de dados, além de dialogar com a Convenção nº 169 da OIT, que garante o direito dos povos indígenas à consulta prévia. O professor Daniel Granada da Silva Ferreira, orientador da pesquisa, ressalta a importância de incluir a voz das comunidades afetadas no debate sobre IA.
A pesquisa é resultado de uma colaboração entre dois projetos focados em inteligência artificial e ética em pesquisa, financiados pelo CNPq.