A Secretaria Municipal de Saúde de São José alerta para o aumento na busca por atendimento em saúde mental devido ao uso prejudicial de jogos de aposta, especialmente em plataformas virtuais. O transtorno do jogo se caracteriza pela dificuldade de controlar o impulso de apostar, mesmo com prejuízos financeiros e emocionais.
No município, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps II) oferece um grupo terapêutico específico para pessoas afetadas, com 16 pacientes atualmente participando e outras oito aguardando atendimento. A secretária adjunta da Saúde, Fabricia Martins, enfatiza a importância do acolhimento precoce para evitar o agravamento dos problemas relacionados às apostas.
“Precisamos olhar para o transtorno do jogo como uma questão de saúde pública. Muitas vezes, a pessoa começa a apostar de forma recreativa e, quando percebe, já está enfrentando perdas financeiras e conflitos familiares”, destaca Martins. Ela ressalta que buscar ajuda rapidamente pode fazer a diferença.
Além disso, as equipes de saúde têm identificado uma relação entre a compulsão por apostas e tentativas de suicídio. Dados nacionais indicam que pessoas com problemas relacionados ao jogo têm um risco de suicídio maior do que a população geral. Um levantamento aponta que 15% dos pacientes atendidos já tentaram suicídio devido às apostas.
Em resposta a esse cenário, a Secretaria de Saúde de São José reforça que o CAPS II faz parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e está preparado para acolher, avaliar e encaminhar os casos. A orientação é que pessoas que sentem perda de controle sobre as apostas, assim como familiares que notam mudanças de comportamento, procurem os serviços de saúde.
“Não é preciso esperar a situação chegar ao limite para pedir ajuda. O sofrimento causado pelas apostas pode ser tratado, e a rede municipal está preparada para acolher essas pessoas e orientar as famílias”, conclui Fabricia Martins.