A professora Helena Moraes Cortes, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentou nesta quinta-feira, 27 de agosto, à vice-reitora Felipa Amadigi, o Dossiê Redesignadas, que mapeia os efeitos da cirurgia de redesignação sexual em mulheres trans brasileiras.
O estudo, realizado pelo Laboratório de Pesquisas, Tecnologias e Inovação em Enfermagem Psiquiátrica, em parceria com o Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas, abrange dados sobre saúde física e mental, sexualidade, qualidade de vida e acesso ao atendimento pós-operatório.
Participaram do levantamento 144 mulheres trans e travestis de todas as regiões do Brasil, com idades entre 22 e 76 anos. A pesquisa revelou que 86,1% se sentiram mais confiantes após a cirurgia, mas 64,6% enfrentaram complicações pós-operatórias, como deiscência de sutura e estenose vaginal.
A professora Helena destacou que a assistência deve ir além do procedimento cirúrgico, considerando as repercussões na saúde mental e na qualidade de vida. O Ambulatório Trans foi o serviço mais procurado para saúde mental, mas muitas mulheres evitam unidades básicas devido ao medo de discriminação.
Além disso, 52% dos participantes relataram vivenciar transfobia após a cirurgia, com a rua sendo o local mais comum de ocorrências. O Dossiê, que pode ser consultado publicamente, visa orientar políticas públicas mais inclusivas e promover um atendimento humanizado e livre de transfobia.
