A pesquisadora Maryah Elisa Morastoni Haertel, da UFSC Blumenau, identificou resíduos biológicos compatíveis com sangue humano no prédio que abrigou o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) em São Paulo, durante a ditadura militar.
A análise foi parte de um projeto interinstitucional coordenado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com a participação de instituições como UFSC Blumenau, Unicamp, UFMG e USP. O estudo, que envolveu uma equipe de arqueologia composta exclusivamente por mulheres, foi publicado na revista Forensic Archaeology, Anthropology and Ecology.
O DOI-Codi foi um dos principais centros de repressão da ditadura, registrando mais de sete mil detenções e pelo menos 52 mortes documentadas. O prédio, localizado na Rua Tutóia, em Vila Mariana, foi um local ativo de tortura e desaparecimentos.
As amostras de sangue foram coletadas em agosto de 2023, e a análise ocorreu entre 2024 e 2025 nos laboratórios da UFSC Blumenau. A equipe enfrentou desafios técnicos, como a falta de dados sobre a degradação do sangue ao longo de décadas e a necessidade de preservar a cadeia de custódia dos vestígios encontrados.
Maryah destacou a importância da pesquisa, que busca dar materialidade aos eventos históricos e apoiar políticas de memória e justiça. Apesar das dificuldades, a confirmação da presença de sangue é um passo significativo na investigação de crimes ocorridos há mais de 50 anos.
Um novo trabalho de campo foi realizado em novembro de 2025 para aprimorar as análises, e um documentário sobre o projeto está previsto para ser lançado, apresentando provas materiais da repressão durante a ditadura.
