O Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (LabTrans/UFSC) participou dos estudos técnicos que fundamentaram o novo processo licitatório do transporte coletivo metropolitano de Curitiba (PR). O trabalho, contratado via Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), foi desenvolvido em parceria com a então Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC), atual Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP), e incluiu diagnóstico, mapeamento e dimensionamento do sistema.
Segundo Rodolfo Nicolazzi Philippi, coordenador de projetos no LabTrans/UFSC, a análise partiu de um diagnóstico do sistema existente e de pesquisas de campo para entender a demanda e a operação. “Foi feito um diagnóstico do sistema existente e foram realizadas pesquisas de campo para mapear o sobe-desce nas linhas, entender o comportamento da demanda e a origem e o destino”, afirma.
Os levantamentos subsidiaram decisões sobre a configuração da rede, como reorganização, redução ou criação de linhas, com base no comportamento da demanda e nos deslocamentos de origem e destino.
Além da análise operacional, os estudos incluíram avaliação econômico-financeira da concessão, com um modelo de fluxo de caixa que considerou tarifa pública e fontes de custeio. Victor Marques Caldeira, especialista em transporte de passageiros e mobilidade urbana do LabTrans/UFSC, explica: “Nós desenvolvemos um modelo de fluxo de caixa para fazer a avaliação econômico-financeira do objeto. Nessa análise entram as questões sociais, o preço, a tarifa pública e as fontes de custeio do sistema”.
O novo modelo também atualizou instrumentos técnicos e jurídicos em relação ao contrato anterior, vigente há cerca de 30 anos, incorporando recomendações do Tribunal de Contas, regulamentações aplicáveis e referências de concessões bem-sucedidas. Foram previstos mecanismos de gatilho para reajustes, reequilíbrios, inserção de novos veículos e incorporação de novas tecnologias.
Com a conclusão da licitação, a implementação das mudanças será conduzida pela AMEP, sucessora da COMEC. A atuação do LabTrans/UFSC concentrou-se nos estudos e na estruturação técnica, enquanto a implementação e o acompanhamento caberão ao órgão público responsável.