sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSanta Catarina, Vida e Saúde

Primeira médica iraniana formada pela UFSC celebra conquista e superação

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Primeira médica iraniana formada pela UFSC celebra conquista e superação
Primeira médica iraniana formada pela UFSC celebra conquista e superação

Sedigheh Anzani, de 35 anos, tornou-se a primeira iraniana a se formar em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela recebeu o diploma em julho, em cerimônia na Reitoria, após concluir a graduação em dezembro de 2025. A formatura foi marcada por desafios, incluindo a adaptação a um novo país, a pandemia e episódios de xenofobia.

Sedigheh chegou ao Brasil em 2016 para fazer mestrado em Farmácia na UFSC, por indicação de um amigo e de um funcionário da embaixada brasileira no Irã. Ela não falava português e enfrentou um choque cultural. “Cheguei aqui sozinha, tudo era diferente para mim, até a comida. Foi um choque cultural mesmo. No início, estava assustada”, relembra.

Em 2018, decidiu cursar Medicina pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G). Após um ano de aprimoramento do idioma na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Chapecó, iniciou o curso na UFSC em 2020. Durante a graduação, enfrentou dificuldades financeiras e a distância da família, mas contou com o apoio da universidade e de professores.

“Foi uma batalha grande. Eu fiz um sacrifício para me manter nesse curso, para não perder a oportunidade grande que a UFSC me deu. Agradeço à UFSC, que me abraçou no momento em que precisei”, afirma Sedigheh, que agora faz mestrado em Ciências Médicas, pesquisando epilepsia farmacorresistente sob orientação da professora Katia Lin.

Devido à guerra no Irã, Sedigheh recebeu autorização especial para obter o diploma no Brasil, em vez de retirá-lo na embaixada brasileira em Teerã, como prevê o PEC-G. A cerimônia contou com a presença do reitor Amir Oliveira, da vice-reitora Felipa Amadigi e da mãe de Sedigheh, Parvaneh, que veio ao Brasil para a formatura e não pôde retornar.

“Em um momento em que o país da Sedigheh enfrenta tantas adversidades, entregar este diploma é, para a UFSC, um gesto de profunda emoção e esperança, pois reafirma nossa convicção de que a educação, a ciência e a cooperação entre os povos são caminhos capazes de transformar vidas e construir a paz”, destacou Felipa.

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