As chuvas intensas que atingem Santa Catarina e o Rio Grande do Sul nos últimos dias são os primeiros impactos do fortalecimento do El Niño em 2026, que deixou de ser apenas previsão e já causa deslizamentos, alagamentos e elevação de rios.
Em Santa Catarina, o solo encharcado provocou deslizamentos em Canoinhas, alagamentos na Serra Catarinense e alerta de grande perigo do Inmet para 115 municípios. No Oeste, a Defesa Civil monitora o Rio Uruguai, que pode atingir cota de inundação em cidades como Itapiranga, Mondaí, Palmitos e Águas de Chapecó.
No Rio Grande do Sul, mais de mil pessoas deixaram suas casas até quarta-feira (22), com 728 desabrigadas e 371 desalojadas. Em Lajeado, centenas de moradores foram acolhidos em abrigo após a rápida elevação do Rio Taquari, e uma ponte comunitária reconstruída após as enchentes de 2024 foi novamente destruída.
Os eventos confirmam estudos que projetam aumento de chuvas extremas no Sul do Brasil. Relatório da Apremavi, elaborado por João de Deus Medeiros, aponta que Santa Catarina está entre as áreas com maiores aumentos de precipitação e destaca a necessidade de priorizar prevenção e adaptação climática.
O documento ressalta que o Brasil ainda investe mais em resposta a desastres do que em prevenção, e que a ocupação irregular do solo, o desmatamento e a flexibilização de APPs aumentam a vulnerabilidade. Mais de 200 municípios catarinenses aprovaram normas que flexibilizam a proteção de APPs urbanas.
Entre as recomendações estão o fortalecimento da Defesa Civil, o mapeamento de áreas de risco, a integração de políticas públicas e a adoção de soluções baseadas na natureza, como restauração florestal e recuperação de matas ciliares. O programa AdaptaCidades apoiará dez municípios catarinenses na elaboração de planos de adaptação.
O relatório conclui que reconstruir da mesma forma após desastres aumenta a vulnerabilidade futura e defende o princípio de “reconstruir melhor”. Prevenir, segundo o documento, é menos custoso do que reconstruir.